Então tu escolhes o medo! – Perguntou o Adamastor.
Sim escolho o medo, o medo de a perder, o medo da morte – declamou o rapaz naufragado.
Mas por mais que lhe respondesse, o Adamastor continuava a tenta-lo, e dizia-lhe que por detrás das ondas escondiam-se a paz, a consciência, que poderia ver outros planetas e caminhar pelo mar. Que o medo de transbordar era ridículo contra as maravilhas que ele podia ter – então tu escolhes a dor! - voraciferavam as vagas a rebentar na rocha.
Sim, escolho o medo, quero ficar aqui e cumprir o meu destino! – gritou o rapaz com convicção que desconhecia.
E dizendo isto esqueceu-se do vento, e não viu mais o gigante temeroso.
O mar acalmou.