8.30.2007

O penhasco era alto. Falésia rochosa que contempla o mar abrupto. E mesmo assim, chegado à beira do abismo, o rapaz perguntou:

- Qual é o segredo da felicidade?

- Queres mesmo saber o segredo da felicidade? – Entoou o Adamastor em voz de trovão que ameaçou ruir a própria vertigem.

- Quero – respondeu humilde, o pobre rapaz à beira do precipício plantado, pequeno e enxuto.

- Salta! – Trovejaram as vagas gigantes nos penedos lá em baixo – Salta! – Erguendo-se majestosas de terror.

Decerto morreria só da queda, meditou o rapaz, avistando o oceano escuro de revolta, lá bem em baixo. Decerto o mar quebraria a sua espinha frágil contra a falésia, nas correntes tempestuosas.

- SALTA! – Vociferou o Adamastor com ar de desdém e regozijo – Salta se fores capaz!

E foi aí que o rapaz sentiu uma mão de gigante no ombro e sorriu. Largou gargalhada infinita que arrebatou os ventos longínquos e fez estremecer os sete mares. E o vibrar do estrondo da sua comédia foi tão grande, que não mais ouviu o Adamastor.

Foi aí que os seus olhos perguntaram ao vazio sereno que se estende para além do mar – Quem és tu Adamastor?

Este é o meu cantinho
Onde pouso os braços de Guerreiro
E contemplo aquilo que já fui.

Os seus olhos eram da cor do fundo do mar.