Ousaste esquecer-te da sombra
Na viela recôndita que espia
Escorreita entre o bosque sombrio
O teu passo apressado presencia
Hás-de querer virar-lhe as costas
Na esperança que não cheire o medo
Dentes raivosos que rangem
Da tua carne ressoando tão cedo
És equilibrista em corda bamba
Estirada pela mão da morte
Para a qual ziguezagueias na esperança
Dos efémeros aplausos da sorte
Dormes sobre o seu velório
A ceifeira que aconchega o leito
Na qual inclinas para dormir
A rosa seca que murchou teu peito
E em cada manhã que encanta
Rogas pragas à tua sorte
Ao pescoço que se esquivou da foice
Ao fantasma que enganou a morte