10.30.2007

Insónia

Em cama vazia, se deita um ser, ao abrigo da noite clara de insónia.
Um homem só, com a sua mente, procura encher-se daquilo que não tem. Tenciona preencher em tensão um vazio de significados. Devia-lhe bastar os sentidos. Degustá-los irreflectido, para que a sua solidão fizesse sentido. Para que a saboreasse na companhia do Sentido não intencionado. Mais difícil do que distrair-se é abstrair-se da distracção. De si poderá tentar fugir, mas para além de si nada mais intentará. Precisará de consolo se não se consolar em dar-se aos sentidos. Se quiser agarrar o significado, este não o abraçará.