Sepultado em tumulo poeirento
Livros esquecidos.
Jaz imóvel, em poltrona bolorenta
Filósofo distraído
Imagem desbotada do que exasperou
Nada foi para além do gesto
Por maior a prosa sofrida
Por maior a escrita palmilhada
Ou dialéctica esgrimida
Ruminado por traças que o tumulam
Por maior a platónica oratória
E a história repetir-se-á
Para gáudio das bafientas bibliotecas
De que a história se desfez satisfeita
Não deu á luz nada
Que antes não tivesse nascido
E dele morrido a oriente, noutros berços
Para que outra criança voltasse
E tocasse no fogo
E o brandisse como estandarte.
Assinar não lhe foi permitido,
As últimas palavras que rabiscou
Soltaram-lhe a mão aberta
Em gesto derradeiro
A pena no chão liberta
Para o fim do seu sepulcro
Escreverem
Repousa em cadeirão bafiento
Livros esquecidos
Nuvem sumida do que atormentou