Voam aves distantes no céu
Rumo a longínqua primavera
Como se desta daqui ida
Se apartassem já ausentes
Porque não voas connosco?
Porque olhas o triângulo no ar?
Porque assentas nessa terra?
Porque ficas aí a pensar?
Olha o sonho que tiveram
Dos ventos quentes do sul!
Pousados nos lagos nocturnos
Onde se enrolam para dormir
Que vertigem te aflige?
Porque não ousas levantar?
Espraiar asas ao raiar?
Estender olhos no fim do mar?
Na frente daquele triangulo
Voa um pássaro destemido
Que sonhou mais alto que todos
Que já não sabe acordar
Porque fizeste casa tão grande?
Porque não a fizeste de palha?
Porque te apegas à obra?
Porque não acordas onde calha?
Rumo aos mundos do sul voam
Perdidos deste pensar
No qual me deixam esperançados
Que um dia irão voltar
Queres ficar por aí?
Não ter asas para nascer?
Queres fincar os pés na terra?
Ver tua alma esmorecer?
Fico-me com a geometria
Admirar o triângulo sem o ser
Foi assim que me ensinaram
Homens sem asas, sem poder.