1.14.2008

Desce um mocho alado
Sobre o mártir no chão caído
E no ombro pousado esvoaça
Um sussurro ao seu ouvido

Levanta-te besta!
Agarra à espada!
A tua morte singela
Não é o fim desta estrada!

Eis que por fim se levanta, moribundo,
O homem farto de cruzada
E esquarteja com golpe profundo
O abismo que a sombra habitava

Jaz livremente deitado
Ferido pelo seu inimigo
E no vasto campo ensanguentado
Pergunta ao anjo caído:

-Até que a morte nos separe...
Do quê, divindade?
No abismo defrontei o maldito
Responde-me, por caridade

-Verás quando ela chegar
Sem qualquer dó nem piedade
Caro herói supliciado
Apartar-te da opacidade.