Há qualquer coisa que não é coisa
Que me faz erguer a mão
Que me soergue do chão
Há qualquer coisa indefinida
Que define todas as coisas
Que me impele a intenção
Há qualquer coisa
Que a gaivota vê no ar
E que a atravessa
Enquanto estou a boiar
Deitado sobre o mar
Perdido na espiral
De qualquer coisa que não é coisa
Que me entontece a pairar
É uma gaivota que me trespassa
É qualquer coisa que com ela,
Esvoaça
O olho da gaivota
É grande bola de cristal
Negra, baça
Perscruta qualquer coisa
Que é coisa nenhuma