1.29.2008

Há qualquer coisa que não é coisa
Que me faz erguer a mão
Que me soergue do chão

Há qualquer coisa indefinida
Que define todas as coisas
Que me impele a intenção

Há qualquer coisa
Que a gaivota vê no ar
E que a atravessa
Enquanto estou a boiar

Deitado sobre o mar
Perdido na espiral
De qualquer coisa que não é coisa
Que me entontece a pairar

É uma gaivota que me trespassa
É qualquer coisa que com ela,
Esvoaça

O olho da gaivota
É grande bola de cristal
Negra, baça

Perscruta qualquer coisa
Que é coisa nenhuma