2.22.2008

Fecharam o rapaz
cadeia, cercas, ferro
aprisionaram a luz
a vil cadeados perros

Almas enubladas sem amor
narizes eruditos empinados
olhos empertigados ao seu redor
arreganhados dentes, disfarçados

Livrem-no deste ardor
o colo materno das marés!
salvem-no do pranto esfomeado
de ver cruzes alheias no peito
como sua mísera dor

Eis que por entre grades
mareia salubre a maresia
portando o brilho de jade
calmante eternidade...

Que fale o Adamastor !

- Porque não és os olhos
Vermelhos na noite ardilosa
riso eterno da ovelha
que se lamenta pesarosa
de penosa perene ordenha?

- Porque não és Arlequim
Enuble a mente vã
com um pequeno gesto laço
sobre alma desencoberta
a caricatura sã?

- Porque não te limitas
a perder o juízo
dízimo ardiloso
dos media da mente?

- Porque sofres no juízo
perseguido, por julgar sentido
veemente crer poder
evitar tudo perder?

- Porque não és,
pobre rapaz,
tirano imperioso
soberano Adamastor?