Nem preto nem branco
Xadrez mestiço
Tudo é vasto manto
De reis caídos
Joga-se o pranto
De peões submissos
Vivem no quadradinho
Estimando-o bem
Até que a mão do emprego
Os atire para além
Não será pela torre
Nem pelo arcebispo
Que será derrotado
Mas pela ideia deificada
Da mente obediente
Nem o veloz cavalo
O salvará da jazida
Do cão que foi
Na batalha vencida
Não queiras realizar
Para além do preto e do branco
Qualquer vasto campo
Sobre o tabuleiro a planar
Não queiras ser
Como a rainha maldita
A única na terra
Que pode morrer e voltar
Reza aos céus consentido
Para que venha a tua vez
Para que marches vanguarda
Em destemida altivez