Na sombra do sobreiro
Viu o Rapaz ao acordar
farrapos e palha inteiro
o Espantalho a chegar
Porque permaneces,
querido Espantalho,
no jugo do sol e do vento
sob o frio do orvalho?
Porque teimas em ficar
Assim de braços no ar
estado tão sofrido
corpo de palha vivido?
Fico aqui apenas
pela simples razão
de amar estes pardais
que aqui estão
O cárcere do amor
dita o meu destino
impregna-me sabor
neste lugar existido
Por isso, não temo nem peso
por aqueles que vão,
os amigos que partem
para outra vida ou mundo
Porque, na verdade
não temo o lugar
para onde vão,
na verdade estando
Aguardo apenas o momento
de os acompanhar,
espero apenas pelo tempo
de ver os pardais esvoaçar
O Adamastor, o espantalho, o rapaz. O guerreiro, a planície, os pardais, as gaivotas e os vendavais, entre outros arquétipos ancestrais. O sangue que escorre dos punhos ou a paz que se leva aos outros. A liberdade, essa, não sei se a atingi nem ninguém. Mais um ideal dos homens para conversarem à luz da fogueira. Apenas mais um dos que comem na mesa do sagrado e do profano.AM
3.12.2008
3.10.2008
Onda no Silêncio
São braços, são pernas
Peitos e crinas de corcéis
Onda gigante distendida
Frente à rocha pavorosa
Atira-se destituída, rebenta
Profusão alvoroça
Trovoou o gongo cabal
No silencio do templo
O átomo primeval
Para saber de onde veio
Ilustrou que o tempo
Era apenas vibração
Emanada do vazio
Explodindo a criação
Peitos e crinas de corcéis
Onda gigante distendida
Frente à rocha pavorosa
Atira-se destituída, rebenta
Profusão alvoroça
Trovoou o gongo cabal
No silencio do templo
O átomo primeval
Para saber de onde veio
Ilustrou que o tempo
Era apenas vibração
Emanada do vazio
Explodindo a criação
3.09.2008
Hoje negou o seu coração
Meteu as chaves no carro
Enfiou-se num gavetão
Para o trabalho escravo!
Hoje não ouviu as preces
Da natural palpitação
Embrenhou-se nas messes
De uma caída civilização
Buzinaram-se sem conta
Subjugaram-se ao stress
Gritaram sem desponta
Meninos da catequese
Cheirou o pó do betão
Escape de almas submetidas
A uma vida de lassidão
De alegrias desvanecidas
Hoje negou o seu coração
Acordaram-no as olheiras
De sonho sonhado em vão
Sem justas parteiras
Hoje não ouviu as preces
De um sonho calado
Hoje o homem levantou-se
Olvidando o combinado
De que são suas olheiras feitas?
De dormir acordado
Ou de viver a dormir
São pesadas as pálpebras
Do corpo que se arrasta
Faz dos olhos uma tumba
Bebida à pressa a cafeína
Depois da bucha insonsa
Engolida a mebocaína
Afastando a doença pronta
Concentra-se no salário
Da luz sente desdém
E quando o dia se apaga
Não repara que a noite vem
A estrela deixou pousada
O Amplo fogo no céu
A Aureola avermelhada
Num grande sinal esvaneceu
Cinzas nocturnas caídas na terra
Sobre os vales luzes ateadas
Pl'o homem inconformado
Imerso na treva serrada
Quis fazer da noite outro dia
Meteu as chaves no carro
Enfiou-se num gavetão
Para o trabalho escravo!
Hoje não ouviu as preces
Da natural palpitação
Embrenhou-se nas messes
De uma caída civilização
Buzinaram-se sem conta
Subjugaram-se ao stress
Gritaram sem desponta
Meninos da catequese
Cheirou o pó do betão
Escape de almas submetidas
A uma vida de lassidão
De alegrias desvanecidas
Hoje negou o seu coração
Acordaram-no as olheiras
De sonho sonhado em vão
Sem justas parteiras
Hoje não ouviu as preces
De um sonho calado
Hoje o homem levantou-se
Olvidando o combinado
De que são suas olheiras feitas?
De dormir acordado
Ou de viver a dormir
São pesadas as pálpebras
Do corpo que se arrasta
Faz dos olhos uma tumba
Bebida à pressa a cafeína
Depois da bucha insonsa
Engolida a mebocaína
Afastando a doença pronta
Concentra-se no salário
Da luz sente desdém
E quando o dia se apaga
Não repara que a noite vem
A estrela deixou pousada
O Amplo fogo no céu
A Aureola avermelhada
Num grande sinal esvaneceu
Cinzas nocturnas caídas na terra
Sobre os vales luzes ateadas
Pl'o homem inconformado
Imerso na treva serrada
Quis fazer da noite outro dia
3.02.2008
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