A rocha que diz ao escultor ser perfeita no estado bruto, enlouquece-o, impede-o de dar à luz.
De joelhos fica, como o pedinte.
Redime-se em dar-lhe uma forma e essa é sua particular sepultura.
A sentença que dá à rocha é da sua cabeça.
Também o escultor quis imortalizar a não forma.
A mãe que deixa o seu vinco na carne da terra através do filho.
Poder-lhe-ão chamar egoísmo ou altruísmo, mas isso é só questiúncula moral dentro do homem.
A estátua é o resultado de tudo o que o escultor lhe deu ou recebeu.
Feita à sua medida, tal como o filho, do pai.
Ele come e respira o pó da pedra enquanto a reduz à sua forma mental.
E na pedra que era pura crava a sua sobrevivência.
Pretende-se alargar. Pretendente da existência.
Mas a pedra era só pedra e pedra será.
Ela já era escultura da força dos tempos e dos elementos.
O homem tornou-a apenas em escultura á sua medida.
O tempo e os elementos em pedra bruta a retornarão à sua aparência.
Ai da memória comprada com tanto labor! O céu ganho com tanto louvor na pedra esculpida! Ruína efémera, a vontade do homem em querer parir o sagrado.
Os elementos em pedra pura, retornarão à sua presença a pseudo-escultura.