O Adamastor, o espantalho, o rapaz. O guerreiro, a planície, os pardais, as gaivotas e os vendavais, entre outros arquétipos ancestrais. O sangue que escorre dos punhos ou a paz que se leva aos outros. A liberdade, essa, não sei se a atingi nem ninguém. Mais um ideal dos homens para conversarem à luz da fogueira. Apenas mais um dos que comem na mesa do sagrado e do profano.AM
12.31.2008
Poligamia
Éramos todos irmãos de sangue até que as castas se separaram. O ser está para além das castas.
A videira foi regada com mijo de cão. Negro o sangue, grande o coração.
Continuamos dionisíacos. É tão antiga a história dos antigos, como a nossa. Reina quem dá de beber sonhos aos rebanhos.
A Grécia mitológica são histórias de infância. Não quer dizer que a infância da humanidade não seja repetida. A consciência pode ostentar uma dobra no espaço, ou uma máquina do tempo. Esse fenómeno despertaria novos axiomas científicos. O homem viajaria pelo espaço, sem sair da terra. Sonhos antigos voltariam a ser sonhados.
A videira foi regada com mijo de cão. Negro o sangue, grande o coração.
Continuamos dionisíacos. É tão antiga a história dos antigos, como a nossa. Reina quem dá de beber sonhos aos rebanhos.
A Grécia mitológica são histórias de infância. Não quer dizer que a infância da humanidade não seja repetida. A consciência pode ostentar uma dobra no espaço, ou uma máquina do tempo. Esse fenómeno despertaria novos axiomas científicos. O homem viajaria pelo espaço, sem sair da terra. Sonhos antigos voltariam a ser sonhados.
pergaminho apócrifo
Sabem aquele diabrete que tinha um iate tão grande, tão grande, tão grande que vos punha a pensar nele? Ele só veio cá para ensinar que a inveja não é mal nenhum. Tinha com ele as musas escaldantes e a fama de ser pastor cobridor. Era tão grande o barco, que os marinheiros se punham a gozar nelas. Que medo tens de navegar em pecado? Julgas que não mareias esse barco? Era cornudo o Diabo porque a Mulher o domou. Deixa o barco vir à terra e verás. Trás a gnóstica na alma dos homens.
cumprimento
Condensar as civilizações
Como se fossem heterónimos
E escrever o homem moderno
Como signos egípcios
O mágico da cartola
Bebe o seu café
Doce de sonhos etílicos
O lusitano que se levanta
É cigano de antiga fusão
O que detrás a luz
Trás o menino p’la mão
Como se fossem heterónimos
E escrever o homem moderno
Como signos egípcios
O mágico da cartola
Bebe o seu café
Doce de sonhos etílicos
O lusitano que se levanta
É cigano de antiga fusão
O que detrás a luz
Trás o menino p’la mão
Lisa e o eterno feminino
Ele foi a magra
Ele foi a gorda
Ele foi a parva
E foi a aleijada
Ele foi a engraçada
E a extraviada
Foi a certa e a desleixada
A nova e a encurvada
Bruxa e fada
Ele foi dias todas
numa só deusa
a mulher pasmada
não o chores
eterno é o seu amor
foi com a esquerda
que pintou o quadro
Ele foi a gorda
Ele foi a parva
E foi a aleijada
Ele foi a engraçada
E a extraviada
Foi a certa e a desleixada
A nova e a encurvada
Bruxa e fada
Ele foi dias todas
numa só deusa
a mulher pasmada
não o chores
eterno é o seu amor
foi com a esquerda
que pintou o quadro
12.23.2008
Esvazia a tua taça agora.
É agora, meus amigos proficientes
Defensores desta ancestral
Diáspora secular
É agora que me compreendeis
Porque sou vosso defensor
Defendi a língua até à morte
Nos campos da Índia e do Brasil
Vamos unir esta garça
Numa Távola redonda
Pode ser de madeira tosca
Mas cheia de Christus
Com o milagre lá dentro
Recebe este sangue de mim!
Defensores desta ancestral
Diáspora secular
É agora que me compreendeis
Porque sou vosso defensor
Defendi a língua até à morte
Nos campos da Índia e do Brasil
Vamos unir esta garça
Numa Távola redonda
Pode ser de madeira tosca
Mas cheia de Christus
Com o milagre lá dentro
Recebe este sangue de mim!
O Lavrador
Onde procuras a verdade
No movimento das estrelas
Ou no sorriso de um homem
Olhas para cima
Olhas para ti
Estás só com o céu
Estás só com os homens
A todos os meus amigos digo
Que não desesperem
Vocês estão cheios
Da minha solidão
No movimento das estrelas
Ou no sorriso de um homem
Olhas para cima
Olhas para ti
Estás só com o céu
Estás só com os homens
A todos os meus amigos digo
Que não desesperem
Vocês estão cheios
Da minha solidão
12.22.2008
Cuidado com o cão,
Cuidado com o terrorismo,
Cuidado com o bicho papão!
Apaguem o fogo da juventude,
Dêem-lhes com o bastão,
Extingam a revolução!
Tragam o gás, as sirenes e a televisão,
Mais as promessas da ordem corrupta!
Comprem os sonhos das almas disjuntas
Ou lancem-lhes as balas da força abrupta!
Cuidado com o cão,
Não vá ele te morder!
Queres que eu o largue?
Ele come da minha mão!
Cuidado com o terrorismo,
Cuidado com o bicho papão!
Apaguem o fogo da juventude,
Dêem-lhes com o bastão,
Extingam a revolução!
Tragam o gás, as sirenes e a televisão,
Mais as promessas da ordem corrupta!
Comprem os sonhos das almas disjuntas
Ou lancem-lhes as balas da força abrupta!
Cuidado com o cão,
Não vá ele te morder!
Queres que eu o largue?
Ele come da minha mão!
12.17.2008
A Sombra Escorreita
Reparaste quando olhaste
Do canto do teu olho,
Como ela se desviou?
Reparaste como foi rápido
A esquivar-se da mente,
Que não a captou?
Reparaste como foi estranho
Teres concluído,
Que nas costas se esquivou?
Reparaste que não conheces
A verdade das coisas encontradas,
Que só vêz o que que procede
Das tramas ensaiadas
Reparaste na sombra esquecida
Por trás das cortinas abertas
Que agiganta as coisas vividas
No palco das vidas incertas?
Reparaste no que encerra
Aquilo que se desviou
Do teu olho mental?
Aquilo que não vê
O teu olhar mortal?
Do canto do teu olho,
Como ela se desviou?
Reparaste como foi rápido
A esquivar-se da mente,
Que não a captou?
Reparaste como foi estranho
Teres concluído,
Que nas costas se esquivou?
Reparaste que não conheces
A verdade das coisas encontradas,
Que só vêz o que que procede
Das tramas ensaiadas
Reparaste na sombra esquecida
Por trás das cortinas abertas
Que agiganta as coisas vividas
No palco das vidas incertas?
Reparaste no que encerra
Aquilo que se desviou
Do teu olho mental?
Aquilo que não vê
O teu olhar mortal?
Rosmaninho
Arquitecta do mundo
O homem apenas desenha
Para onde nos levas plebeia,
Para o mel da tua colmeia?
Onde picas com o teu ferrão
O falo de um homem deseja
Doce veneno o teu,
Eterna Mestra Abelha
O homem apenas desenha
Para onde nos levas plebeia,
Para o mel da tua colmeia?
Onde picas com o teu ferrão
O falo de um homem deseja
Doce veneno o teu,
Eterna Mestra Abelha
Inominável......aquele, que aprisionou a luz.
Quem não adora velas,
Como se formam ao fogo
Lentamente deformam elas,
Até que da forma nem vê-las?
Vai a luz, deixa o pavio
Para outra vela incendiar
Outra vela iluminar
Do fundo negro do meu Olhar
E agora vais dormitar
Na caverna vais acamar
Com a minha luz vais sonhar
Como se formam ao fogo
Lentamente deformam elas,
Até que da forma nem vê-las?
Vai a luz, deixa o pavio
Para outra vela incendiar
Outra vela iluminar
Do fundo negro do meu Olhar
E agora vais dormitar
Na caverna vais acamar
Com a minha luz vais sonhar
12.16.2008
Oriente Meio
Se um árabe se baixa
Se o outro se rebaixa
porque não posso viver com o meu irmão,
se vivo com ele a mesma religião?
Do homem que aqui se baixa
E além levanta o coração?
Não é para cima que ele se eleva?
Não é para baixo que ele se pela?
Se o outro se rebaixa
porque não posso viver com o meu irmão,
se vivo com ele a mesma religião?
Do homem que aqui se baixa
E além levanta o coração?
Não é para cima que ele se eleva?
Não é para baixo que ele se pela?
A visão Maga
São as crianças o futuro, Pai Natal?
É o sorriso que levas,
No teu saco abismal?
Porque vem do céu a glória
Da infância perdida?
Que conta a Sábia história
Do homem elevado que vinha?
Vem um carrossel cadente
De tamanha alegria
Vem um homem sorridente
Cheio de sabedoria
Desce o nosso pai à terra
E só os putos o viram chegar
Vem das estrelas
O alimento que trazes,
É o futuro, Pai Natal!
Vem de lá uma caravana
Extrondosa , levar-me daqui
Para o mundo que sonhei
E não esqueci
Dorme embalada no berço
A criança que há em mim
Dorme embalada no Berço
A criança que há em ti
Faça-se agora verdade
O que em criança senti
Na poesia que levas
Está o teu Álibi
É o sorriso que levas,
No teu saco abismal?
Porque vem do céu a glória
Da infância perdida?
Que conta a Sábia história
Do homem elevado que vinha?
Vem um carrossel cadente
De tamanha alegria
Vem um homem sorridente
Cheio de sabedoria
Desce o nosso pai à terra
E só os putos o viram chegar
Vem das estrelas
O alimento que trazes,
É o futuro, Pai Natal!
Vem de lá uma caravana
Extrondosa , levar-me daqui
Para o mundo que sonhei
E não esqueci
Dorme embalada no berço
A criança que há em mim
Dorme embalada no Berço
A criança que há em ti
Faça-se agora verdade
O que em criança senti
Na poesia que levas
Está o teu Álibi
12.06.2008
Sereia
- Menina saloia
dama da praia
senhora do mar
és a preferida
de quem quer amar
- Vens buscar-me?
para onde me levas?
- Para o inferno
do meu vulcão
para as trevas
da minha língua
para os monstros
na minha mão
que venha a aranha morder-me
vinda do mato a escorregar
uma rainha linda
um corpo de cobrinha
suave e deslizante
a pele de cetim
dá-me um beijo
desses em que o mundo desaparece
e tu faleces num precipício profundo
tão escuro quanto a bruma
que me ia no coração
- Não...desses não...
daqueles em que tudo à volta se torna colorido
e os pássaros cantam o amanhã
num bosque perdido
tão alegre que limpa qualquer ordenação
- Ai Mulher! Tu és a Primavera sã!
Logo depois vem o vulcão
quente como o inferno.
dama da praia
senhora do mar
és a preferida
de quem quer amar
- Vens buscar-me?
para onde me levas?
- Para o inferno
do meu vulcão
para as trevas
da minha língua
para os monstros
na minha mão
que venha a aranha morder-me
vinda do mato a escorregar
uma rainha linda
um corpo de cobrinha
suave e deslizante
a pele de cetim
dá-me um beijo
desses em que o mundo desaparece
e tu faleces num precipício profundo
tão escuro quanto a bruma
que me ia no coração
- Não...desses não...
daqueles em que tudo à volta se torna colorido
e os pássaros cantam o amanhã
num bosque perdido
tão alegre que limpa qualquer ordenação
- Ai Mulher! Tu és a Primavera sã!
Logo depois vem o vulcão
quente como o inferno.
12.04.2008
Quis desafiar os deuses
Cravou na pedra a gnose
De um mundo sombrio
Na caverna recôndita
Negou a sua finitude
Ensinou a criança vindoura
Dos perigos e das virtudes
Desta aventura louca
É tão rupestre a ciência
Gaia na sua ignorância
Como era a consciência
Do pagão deambulante
Ergueu o homem a obra
Comendo o pão amassado
P´la mão do anjo difame
Seu O ser mal amado
Caiu abrupto na terra
Conspurcado vilipendiado
A semente acordada na luz
A obra do Diabo
Mas anda na selva tecnológica
Um neopagão tão macaco
Como o macaco trepador
Da primitiva floresta
Civilizaçãos caídas
Muitas foram as que viu
O dragão de fogo
Sobre o mundo as asas abriu
Por mais escritos e gravuras
Que o Homem deixou
Será cinza ao vento
Do tempo que passou
Cravou na pedra a gnose
De um mundo sombrio
Na caverna recôndita
Negou a sua finitude
Ensinou a criança vindoura
Dos perigos e das virtudes
Desta aventura louca
É tão rupestre a ciência
Gaia na sua ignorância
Como era a consciência
Do pagão deambulante
Ergueu o homem a obra
Comendo o pão amassado
P´la mão do anjo difame
Seu O ser mal amado
Caiu abrupto na terra
Conspurcado vilipendiado
A semente acordada na luz
A obra do Diabo
Mas anda na selva tecnológica
Um neopagão tão macaco
Como o macaco trepador
Da primitiva floresta
Civilizaçãos caídas
Muitas foram as que viu
O dragão de fogo
Sobre o mundo as asas abriu
Por mais escritos e gravuras
Que o Homem deixou
Será cinza ao vento
Do tempo que passou
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