Esferas concêntricas
no espaço perdidas
terra gigante
massa descomedida
se ao centro descer
nele encontra o berço
pesado da gravidade
do feto a viver
sepultado no mundo
o embrião encolhido
de génese infantil
no interior perdido
o espaço profundo
o infinito vazio
encerra sombrio
o útero moribundo
a mãe terra contém
no túmulo seu centro
um vazio tão extenso
quanto o céu obtuso
tem a alma da terra
a luz das estrelas
nela sobre tudo
o olhar revela
comprimido é o centro
a angústia do ser
tão livre é o pensamento
como alma no peito a bater
O Adamastor, o espantalho, o rapaz. O guerreiro, a planície, os pardais, as gaivotas e os vendavais, entre outros arquétipos ancestrais. O sangue que escorre dos punhos ou a paz que se leva aos outros. A liberdade, essa, não sei se a atingi nem ninguém. Mais um ideal dos homens para conversarem à luz da fogueira. Apenas mais um dos que comem na mesa do sagrado e do profano.AM
1.29.2009
1.18.2009
mesmo no escuro do lago nocturno
oiço o brilho na água
do som das estrelas no céu
mesmo de cego coberto persiste a fé
da vida na água de outras esferas
entes do espaço para aqui vieram
de muitas galáxias procederam
espelhada na água a gravidade
entre o tudo e o nada
reside a consciência aqui
ou habita a anti-matéria?
mesmo no escuro persiste
um brilho mudo
oiço o brilho na água
do som das estrelas no céu
mesmo de cego coberto persiste a fé
da vida na água de outras esferas
entes do espaço para aqui vieram
de muitas galáxias procederam
espelhada na água a gravidade
entre o tudo e o nada
reside a consciência aqui
ou habita a anti-matéria?
mesmo no escuro persiste
um brilho mudo
Meridiano
Não o aflige o exército
Já deu tudo ao seu irmão
Reuniu uma trupe de guerreiros da luz
Que faz estremecer os celestes
Tem um exército do seu lado
De honrosos soldados
Capazes de suportar a cruz
Aqui e além fronteiras
Não o atormenta o exército
Tem um irmão do seu lado
Com uma rosa cruzada no peito
Foi da espada do rei que aqui ficou
Foi a ibéria que se consagrou
Já deu tudo ao seu irmão
Reuniu uma trupe de guerreiros da luz
Que faz estremecer os celestes
Tem um exército do seu lado
De honrosos soldados
Capazes de suportar a cruz
Aqui e além fronteiras
Não o atormenta o exército
Tem um irmão do seu lado
Com uma rosa cruzada no peito
Foi da espada do rei que aqui ficou
Foi a ibéria que se consagrou
A mulher rouba ao homem para dar vida, fermenta o desejo na qual a semente é germinada, colhe-o como se fosse da má vida e ainda pretende passar por casta. O homem goza a mulher prostrada, dá a planta semeada, é terra lavrada da mulher sagrada.
Pois a mulher é fera que mata a cria vizinha para dar vida de si, ferida aberta de homens nascidos, à morte lançados, às garras de outras feras. Portal celestial na qual a luz é semeada. A cruz plantada.
Não chores mulher, não vais morrer, acabas de dar à luz! Que sempre que fazes um homem chorar, há mais um ponto no universo que reluz.
Pois a mulher é fera que mata a cria vizinha para dar vida de si, ferida aberta de homens nascidos, à morte lançados, às garras de outras feras. Portal celestial na qual a luz é semeada. A cruz plantada.
Não chores mulher, não vais morrer, acabas de dar à luz! Que sempre que fazes um homem chorar, há mais um ponto no universo que reluz.
1.11.2009
O Galinheiro
Quando deixámos de louvar a carne que matamos para comer, descemos abaixo de animal. Matamos os filhos de deus em vão.
Na antropogénese demiúrgica esconde-se um canibalismo atroz. E mesmo as plantas ou árvores, o homem julga que tenham vindo aqui para o servir.
O leão honra a presa caçada. O humano é galinha amestrada no cimo do seu poleiro, julgando livre o pescoço da faca.
Na antropogénese demiúrgica esconde-se um canibalismo atroz. E mesmo as plantas ou árvores, o homem julga que tenham vindo aqui para o servir.
O leão honra a presa caçada. O humano é galinha amestrada no cimo do seu poleiro, julgando livre o pescoço da faca.
1.08.2009
Ma Donna
Olhei para ti no escuro
Olhei para ti no claro
Passei a minha vida
A olhar este quadro
Olhei nas estrelas desertas
Nos lagos turvos
Nas mulheres incertas
O rosto de veludo
De uma mulher que tinha
Nas caras todas as caras
De quem sou desde que nasci
Até ao dia que descobri
Chegar a velho mereci
O pintor era tão egoísta
Que pintou o seu rosto
De infância loira
A velho branco panteísta
Na candidez dela
Estavam caras minhas
Numa simples tela
As nossas vinhas
Como pôde alguém
Condensar num quadro
Tão pequena obra
Tão completa?
Como pôde tal génio
Esconder o futuro ali
Em madeira o passado
O tempo mistério?
São muitos os rostos da deusa
No quadro do mestre
Olhei para ti no claro
Passei a minha vida
A olhar este quadro
Olhei nas estrelas desertas
Nos lagos turvos
Nas mulheres incertas
O rosto de veludo
De uma mulher que tinha
Nas caras todas as caras
De quem sou desde que nasci
Até ao dia que descobri
Chegar a velho mereci
O pintor era tão egoísta
Que pintou o seu rosto
De infância loira
A velho branco panteísta
Na candidez dela
Estavam caras minhas
Numa simples tela
As nossas vinhas
Como pôde alguém
Condensar num quadro
Tão pequena obra
Tão completa?
Como pôde tal génio
Esconder o futuro ali
Em madeira o passado
O tempo mistério?
São muitos os rostos da deusa
No quadro do mestre
1.07.2009
Ribeira D’Ilhas
Um tesouro escondido
E Ali à esquerda
Ali Baba a vigiar
Uma salinidade
De tanta pedra sobre o mar
Um túnel direito
Sobre o céu a dançar
Digno de o apanhar foi
Meu irmão das alturas
Que em terra este lugar
É um lugar escondido
Onde tu a surfar
Para sempre perduras
Por ali existe a pairar
Um largo sonho a voar
De um homem de terra abruta
Que se abriu para o mar
Um rio que abriu ilhas
Eternas, escondidas
E Ali à esquerda
Ali Baba a vigiar
Uma salinidade
De tanta pedra sobre o mar
Um túnel direito
Sobre o céu a dançar
Digno de o apanhar foi
Meu irmão das alturas
Que em terra este lugar
É um lugar escondido
Onde tu a surfar
Para sempre perduras
Por ali existe a pairar
Um largo sonho a voar
De um homem de terra abruta
Que se abriu para o mar
Um rio que abriu ilhas
Eternas, escondidas
1.05.2009
1.04.2009
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