2.17.2009

Se eu tenho um amigo
Tenho um bastão
Se eu tenho um inimigo
Tenho o meu chão

Se eu tenho um castigo
Tenho o meu céu
Se eu tenho o meu trigo
Tenho o meu pão

Sento-me na orla do mar
E vejo o infinito
Sinto-me olhando o meu par
E não sinto perigo

É mais uma voltinha
De carro ou bicicleta
É mais uma voltinha
Na grande camioneta

Olham-nos os gatos pardos
Nos nossos sofás sentados
A luz do nosso fardo
Que os alumia espantados

É tão grande a nossa luz
Que temos uns amigos
Além da nossa cruz
Sentados no nosso umbigo

De volta ao abismo vamos
Lançar-nos ao mar
Nesta terra já nada há
Para o nosso pé pisar

Vamos ver, meus amigos
Onde se esconde o vale
Vamos procurar enfim
O nosso Santo Graal

Tão vastos os nossos abrigos
Que abraçamos o mundo
O império dos nossos antigos
De Atlântida profundo

2.13.2009

o Espantalho Luzidio

Se eu for hoje meu amigo, já cheirei a primavera na manhã que os pássaros me cantaram e parto deste mundo sem a ganância de querer o sol outra vez. Havemos de cantar juntos altíssimo para as estrelas nos ouvirem ao redor de uma fogueira irmã que do frio nos acolhe. Se acaso me chamarem noutra missão, digo-vos, vou com a minha poesia, pois sou um homem da guerra e dela não me posso apartar. Sou o espantalho da quimera, vim aqui para ficar. Fica aqui o testemunho se a sorte o vento quiser mudar. Desde que a Trompeta Irisada ouvi não mais pude parar de pregar.

Olha os homens na guerra! Parecem fantoches no circo a fazer de bonecos maus. São tão mauzinhos que tiram a vida a outra criança, com medo que lhes tirem a deles. São tão mauzinhos que até têm medo de matar uma mulher. Ignoram o que é arder no fogo que queima a vida que arde sem se crer. É a apologia da guerra semelhante à do desapego, deixar tudo para trás, mas antes deixar muitas vidas debaixo dos pés. Foi assim que fizemos um monumento à Batalha, meu irmão. É tão antiga a história, como o são as palhas da minha muralha.