Se eu tenho um amigo
Tenho um bastão
Se eu tenho um inimigo
Tenho o meu chão
Se eu tenho um castigo
Tenho o meu céu
Se eu tenho o meu trigo
Tenho o meu pão
Sento-me na orla do mar
E vejo o infinito
Sinto-me olhando o meu par
E não sinto perigo
É mais uma voltinha
De carro ou bicicleta
É mais uma voltinha
Na grande camioneta
Olham-nos os gatos pardos
Nos nossos sofás sentados
A luz do nosso fardo
Que os alumia espantados
É tão grande a nossa luz
Que temos uns amigos
Além da nossa cruz
Sentados no nosso umbigo
De volta ao abismo vamos
Lançar-nos ao mar
Nesta terra já nada há
Para o nosso pé pisar
Vamos ver, meus amigos
Onde se esconde o vale
Vamos procurar enfim
O nosso Santo Graal
Tão vastos os nossos abrigos
Que abraçamos o mundo
O império dos nossos antigos
De Atlântida profundo