Estará Portugal morto, ou finge estar morto? Como aqueles
bichos-de-conta que se enrolam em si mesmo pretendendo estar mortos perante ameaça
maior. Talvez Portugal seja um bicho que faz de conta que não exista. Pretende
que não exista um motivo maior. Pretende que não existam portugueses com
sonhos. Com mãos. Com alma. Um país que pretende não ser seu, o engenho e a
coragem. Que se crê subsidiário do mérito e do valor. Um país onde as asas
clementes da justiça não aterram e os gentios aguardam a vinda do salvador.
Talvez Portugal pretenda acreditar no falso herói que comprou ao vendilhão do
templo.
Talvez por fim, Portugal, acredite que seja um
bicho-de-conta, inerte, no receio esperançoso de não ser esmagado por um bicho
maior.