6.30.2014

Bicho-de-conta




Estará Portugal morto, ou finge estar morto? Como aqueles bichos-de-conta que se enrolam em si mesmo pretendendo estar mortos perante ameaça maior. Talvez Portugal seja um bicho que faz de conta que não exista. Pretende que não exista um motivo maior. Pretende que não existam portugueses com sonhos. Com mãos. Com alma. Um país que pretende não ser seu, o engenho e a coragem. Que se crê subsidiário do mérito e do valor. Um país onde as asas clementes da justiça não aterram e os gentios aguardam a vinda do salvador. Talvez Portugal pretenda acreditar no falso herói que comprou ao vendilhão do templo. 

Talvez por fim, Portugal, acredite que seja um bicho-de-conta, inerte, no receio esperançoso de não ser esmagado por um bicho maior.