O Adamastor, o espantalho, o rapaz. O guerreiro, a planície, os pardais, as gaivotas e os vendavais, entre outros arquétipos ancestrais. O sangue que escorre dos punhos ou a paz que se leva aos outros. A liberdade, essa, não sei se a atingi nem ninguém. Mais um ideal dos homens para conversarem à luz da fogueira. Apenas mais um dos que comem na mesa do sagrado e do profano.AM
8.31.2007
Sagres
Essa falésia à beira mar plantada
Onde o azul se perde no infinito
Conta que a terra acaba onde começa o mar.
E quem deixa esta vida
Em barca incerta, abraçando o mar
Novas terras encontrará
Sem igual nem par.
Onde o azul se perde no infinito
Conta que a terra acaba onde começa o mar.
E quem deixa esta vida
Em barca incerta, abraçando o mar
Novas terras encontrará
Sem igual nem par.
O Génio
Não vez que a Lâmpada de Aladino
Onde esfregas as mãos
Pelos três desejos sofridos
É o teu coração?
Tu és génio cujos dons aspiras revelar.
Mas a lâmpada só alumia
O mendigo andrajoso
Onde esfregas as mãos
Pelos três desejos sofridos
É o teu coração?
Tu és génio cujos dons aspiras revelar.
Mas a lâmpada só alumia
O mendigo andrajoso
Pomba Branca
E a vida continuava,
Naquela praça ferida pelo tempo
Pombas acercadas junto a uma velhota
Bengala na mão e um saco de papel na outra,
Curvada pela idade.
Restinhos de pão duro, do almoço dos dias anteriores
Xaile cinzento-claro cobria-lhe a cabeça
Esforçou-se por multiplicar milagrosamente
Os bocados em bocadinhos menores,
Para que a nenhuma ave faltasse o ânimo de voar.
E como que tirada de um quadro,
Foi sobrevoada por uma névoa de asas,
Na qual se perdeu e foi achada.
Sorrindo na graça de ser agraciada
Pela coreografia que desenhava.
Quem melhor olhou
Viu, que aquela velhota entre elas voava
E nas costas curvadas,
Escondia umas asas mais brancas
Que a pedra branca da calçada.
Foi aí, que sem o saber
Chegou a velha do xaile ao meu ouvido
E cândida sussurrou:
“ – Não me poderás agarrar,
Sou livre como o amor”.
E parece que a vi afastar-se, prazenteiramente,
Deixando para trás pombas extasiadas
Multidões esquecidas da fome.
Abriu as asas num estrondo e fugiu,
Para longe do olhar.
Os seus cabelos eram mais claros
Que as penas brancas da pomba a voar.
Naquela praça ferida pelo tempo
Pombas acercadas junto a uma velhota
Bengala na mão e um saco de papel na outra,
Curvada pela idade.
Restinhos de pão duro, do almoço dos dias anteriores
Xaile cinzento-claro cobria-lhe a cabeça
Esforçou-se por multiplicar milagrosamente
Os bocados em bocadinhos menores,
Para que a nenhuma ave faltasse o ânimo de voar.
E como que tirada de um quadro,
Foi sobrevoada por uma névoa de asas,
Na qual se perdeu e foi achada.
Sorrindo na graça de ser agraciada
Pela coreografia que desenhava.
Quem melhor olhou
Viu, que aquela velhota entre elas voava
E nas costas curvadas,
Escondia umas asas mais brancas
Que a pedra branca da calçada.
Foi aí, que sem o saber
Chegou a velha do xaile ao meu ouvido
E cândida sussurrou:
“ – Não me poderás agarrar,
Sou livre como o amor”.
E parece que a vi afastar-se, prazenteiramente,
Deixando para trás pombas extasiadas
Multidões esquecidas da fome.
Abriu as asas num estrondo e fugiu,
Para longe do olhar.
Os seus cabelos eram mais claros
Que as penas brancas da pomba a voar.
8.30.2007
O penhasco era alto. Falésia rochosa que contempla o mar abrupto. E mesmo assim, chegado à beira do abismo, o rapaz perguntou:
- Qual é o segredo da felicidade?
- Queres mesmo saber o segredo da felicidade? – Entoou o Adamastor em voz de trovão que ameaçou ruir a própria vertigem.
- Quero – respondeu humilde, o pobre rapaz à beira do precipício plantado, pequeno e enxuto.
- Salta! – Trovejaram as vagas gigantes nos penedos lá em baixo – Salta! – Erguendo-se majestosas de terror.
Decerto morreria só da queda, meditou o rapaz, avistando o oceano escuro de revolta, lá bem em baixo. Decerto o mar quebraria a sua espinha frágil contra a falésia, nas correntes tempestuosas.
- SALTA! – Vociferou o Adamastor com ar de desdém e regozijo – Salta se fores capaz!
E foi aí que o rapaz sentiu uma mão de gigante no ombro e sorriu. Largou gargalhada infinita que arrebatou os ventos longínquos e fez estremecer os sete mares. E o vibrar do estrondo da sua comédia foi tão grande, que não mais ouviu o Adamastor.
Foi aí que os seus olhos perguntaram ao vazio sereno que se estende para além do mar – Quem és tu Adamastor?
Este é o meu cantinho
Onde pouso os braços de Guerreiro
E contemplo aquilo que já fui.
Os seus olhos eram da cor do fundo do mar.
- Qual é o segredo da felicidade?
- Queres mesmo saber o segredo da felicidade? – Entoou o Adamastor em voz de trovão que ameaçou ruir a própria vertigem.
- Quero – respondeu humilde, o pobre rapaz à beira do precipício plantado, pequeno e enxuto.
- Salta! – Trovejaram as vagas gigantes nos penedos lá em baixo – Salta! – Erguendo-se majestosas de terror.
Decerto morreria só da queda, meditou o rapaz, avistando o oceano escuro de revolta, lá bem em baixo. Decerto o mar quebraria a sua espinha frágil contra a falésia, nas correntes tempestuosas.
- SALTA! – Vociferou o Adamastor com ar de desdém e regozijo – Salta se fores capaz!
E foi aí que o rapaz sentiu uma mão de gigante no ombro e sorriu. Largou gargalhada infinita que arrebatou os ventos longínquos e fez estremecer os sete mares. E o vibrar do estrondo da sua comédia foi tão grande, que não mais ouviu o Adamastor.
Foi aí que os seus olhos perguntaram ao vazio sereno que se estende para além do mar – Quem és tu Adamastor?
Este é o meu cantinho
Onde pouso os braços de Guerreiro
E contemplo aquilo que já fui.
Os seus olhos eram da cor do fundo do mar.
8.28.2007
8.22.2007
Deixai-os bater à porta,
Nas noites de ventania tenebrosa
Que eu os ouvirei
Como às batidas no meu coração.
E apesar do medo,
Não entrarão na minha casa
Porque foi construída com as mãos.
Tudo o que eles poderão destruir
Já está destruído.
Não cerrarás os punhos
Virarás as palmas das mãos para o céu.
E o vento não será mais.
Nas noites de ventania tenebrosa
Que eu os ouvirei
Como às batidas no meu coração.
E apesar do medo,
Não entrarão na minha casa
Porque foi construída com as mãos.
Tudo o que eles poderão destruir
Já está destruído.
Não cerrarás os punhos
Virarás as palmas das mãos para o céu.
E o vento não será mais.
8.20.2007
Deusa do Gelo
Não é o vento que abana os seus cabelos
são os teus cabelos que apaixonam o vento.
Não são as ondas que existem no teu corpo
seu corpo é a barca que as navega
Não, não é a luz que se reflecte nos seus olhos
seus olhos que são a prisão da luz
Óh Ninfa do Gelo, não vês que tens uma estrela em ti?
são os teus cabelos que apaixonam o vento.
Não são as ondas que existem no teu corpo
seu corpo é a barca que as navega
Não, não é a luz que se reflecte nos seus olhos
seus olhos que são a prisão da luz
Óh Ninfa do Gelo, não vês que tens uma estrela em ti?
8.17.2007
Eclipse
- É engraçado, eles correm para o ver - pronunciou o rapaz no meio do mar calmo.- Pois, eu não te tinha dito, como é belo o sol atrás da lua? - Retorquiu Adamastor - Julgas-te mais que a sombra?
Aí o rapaz pensou na espada do medo e respondeu aflito - Não eu não o quero ver! - E fugiu a nado daquele tormento.
8.16.2007
Pedra por Esculpir
Então tu escolhes o medo! – Perguntou o Adamastor.
Sim escolho o medo, o medo de a perder, o medo da morte – declamou o rapaz naufragado.
Mas por mais que lhe respondesse, o Adamastor continuava a tenta-lo, e dizia-lhe que por detrás das ondas escondiam-se a paz, a consciência, que poderia ver outros planetas e caminhar pelo mar. Que o medo de transbordar era ridículo contra as maravilhas que ele podia ter – então tu escolhes a dor! - voraciferavam as vagas a rebentar na rocha.
Sim, escolho o medo, quero ficar aqui e cumprir o meu destino! – gritou o rapaz com convicção que desconhecia.
E dizendo isto esqueceu-se do vento, e não viu mais o gigante temeroso.
O mar acalmou.
Sim escolho o medo, o medo de a perder, o medo da morte – declamou o rapaz naufragado.
Mas por mais que lhe respondesse, o Adamastor continuava a tenta-lo, e dizia-lhe que por detrás das ondas escondiam-se a paz, a consciência, que poderia ver outros planetas e caminhar pelo mar. Que o medo de transbordar era ridículo contra as maravilhas que ele podia ter – então tu escolhes a dor! - voraciferavam as vagas a rebentar na rocha.
Sim, escolho o medo, quero ficar aqui e cumprir o meu destino! – gritou o rapaz com convicção que desconhecia.
E dizendo isto esqueceu-se do vento, e não viu mais o gigante temeroso.
O mar acalmou.
8.15.2007
8.14.2007
8.10.2007
Não reverencio o louco porque sei que posso ser como ele.
Não estimo o corajoso pois sei que é vã a glória,
Nem respeito o intelectual porque dessacralizou a resposta.
Considero o mendigo porque sabe quem eu sou
Só não vê quem não quer
Todos suplicam por algo
Estenderão todos as mãos em reverência
No fim.
Não estimo o corajoso pois sei que é vã a glória,
Nem respeito o intelectual porque dessacralizou a resposta.
Considero o mendigo porque sabe quem eu sou
Só não vê quem não quer
Todos suplicam por algo
Estenderão todos as mãos em reverência
No fim.
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